HISTÓRIA VIVA: Museu no bairro Abadia

Morador apresenta acervo em que seus familiares também protagonizaram a história do local
BAIRROS / CONDOMÍNIOS/LOUVEIRA - Portal JORNAL O Clássico

Para chegar ao bairro Abadia é preciso pegar a estrada, saindo do Centro de Louveira, sentido Itatiba. Na entrada do bairro, você se depara com diversas plantações, como as de caqui, que, neste período do ano, segundo nosso primeiro entrevistado, Laurindo Boriero, de 73 anos, aposentado e também produtor de caqui e uva, os pés da fruta estão ‘adormecidos’, embora pareçam ‘secos’, pois não possuem uma folha verde sequer. Também chama a atenção a existência de casas construídas em grandes terrenos e significativas áreas verdes, consequentemente, com vista privilegiada.

Foi na visita ao ‘Museu do Imigrante’, próximo à igreja Nossa Senhora da Abadia, fundada em 1950, que a reportagem do Portal JORNAL O Clássico encontrou o simpático morador, Laurindo, descendente de italianos, que nasceu e cresceu no bairro. Ele revelou, bastante orgulhoso, que seu ‘nono’ doou o terreno, naquela época, para a construção da igreja, que existe há 67 anos. 

“Todo dia 15 de agosto realizamos uma procissão saindo da Capelinha Nossa Senhora das Graças, existente no bairro, chegando até aqui, na igreja Nossa Senhora Abadia. Mantemos essa tradição religiosa, bem como a parte festiva”, contou.

Enquanto apresentava o museu, em meio a tantos objetos e cenários de um tempo que não volta mais, logo descobrimos que Laurindo também faz parte daquela história, através dos seus antepassados. No lugar onde um dia funcionou a escola que ele estudou, entre uma foto e outra, identifica as pessoas, sendo todas pertencentes à sua origem. “Minha mãe, já falecida, era Ângela Biazzi. Os integrantes da família dela trabalharam vinte anos como colonos em Campinas e depois compraram as terras aqui na Abadia. Isso por volta de 1930, 32, quando ocorreu a crise cafeeira, que levou os fazendeiros a desanimarem com a produção do café”, conta.

Como era o caçula entre os filhos, Laurindo seguiu o pedido da mãe e nunca se casou. Por isso, fazia muita companhia a ela, que contava muitas histórias sobre a vida de seus antepassados. 

“A bisa saiu da Itália em 1860 e viajou 28 dias de navio a vapor até chegar no Brasil. Minha mãe contou que, na ocasião, decidiram sair de lá por causa da pobreza e do frio intenso. Diziam: ‘Vamos para a América!’”, lembra.

Sobre como era a vida antigamente e como é atualmente no bairro, Laurindo explica que tudo mudou muito, pois eram todos primos, cunhados, sobrinhos... “Antes, sentávamos juntos para conversar e agora já não conseguimos mais fazer isso. Além disso, todos vivem fechados em suas casas porque a sensação de insegurança é grande. Outro dia, furtaram a casa da minha prima”, lamenta. “Também trabalhei bastante, desde os oito anos de idade. Tivemos olaria e depois vieram as plantações de frutas. Minha mãe era muito autoritária, ‘ferro e fogo’ mesmo. Não podia sair fora da linha que apanhava”, acrescenta.

“Então, o que mais sinto saudades é de ser criança. Queria ser criança nos dias de hoje por causa da liberdade que elas têm atualmente, melhores roupas, dormem bem, porque antigamente nossa infância era sofrida, pois os pais faziam a gente trabalhar muito cedo”, justifica.

Contudo, Laurindo acredita que as pessoas vivem melhor agora. “Antes era tudo mais difícil. Hospital era longe, e hoje tem a Santa Casa, posto de saúde, ambulatório, tudo... Eu ergo o chapéu para o nosso prefeito e sua vice. Não tenho o que falar mal”, opina.

SOBRE O MUSEU

O Museu do Imigrante foi fundado em 20 de novembro de 2003. Ele está localizado na Estrada Abadia S. José – bairro Abadia, em Louveira (ao lado da Igreja Nossa Senhora da Abadia).

FOTOS: Portal JORNAL O Clássico


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